sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Who Dat!!*

Como previamente anunciado por minha amada esposa, fiquei encarregado (sem pressao**) de escrever sobre nossa surpreendente viagem a New Orleans. Falo surpreendente porque, apesar de uma simpatia nutrida previamente pela cidade (pura e exclusivamente baseada em intuicao), nossa expectative estava baixa por conta de pouca pesquisa e idas e vindas no planejamento de nosso fim de ano.

Com duas semanas a nossa disposicao, tinhamos como certo o Natal na casa da Amelinha (maravilhoso como a Lili ja vos apresenteou) e mais muitos dias a preencher. Na correria da nossa rotina, acabamos deixando as reservas para muito tarde e nossas ideias iniciais (cruzeiro ou all-inclusive no Caribe) acabaram ficando proibitivamente caras. Aos 45 minutos do segundo tempo, do nada me veio a cabeca a ideia da intrigante pero desconocida New Orleans que simpaticamente morava no meu inconsciente (acho que por conta de entusiasmados comentarios de Tio Beto em algum almoco de sabado ha muito tempo atras). Pois bem, depois de um rapida procura no Priceline (um dos nossos sites preferidos para barganhar), encontramos um Sheraton na Canal Street (crème de la crème da cidade segundo reviews) por uma pechincha. Empolgado por aquele achado e depois de nao encontrar passagens aereas muito baratas, abri o Google Maps e vi que New Orleans estava “apenas” a 10 horas de carro de Tampa (como voces podem ver a empolgacao e miopia era grande). Embalado, tratei de coordenar rapidamente com a Ma e o Fran que devem ter aceitado por cansaco depois de tantas reviravoltas. Com este quê de improviso, tao conectado com o berco do Jazz, aparentemente resolvemos nossa vida.

Ja no comforto do lar da Me (aka Amelinha), entre uma refeicao deliciosa aqui e um vinhozinho ali, sempre que falavamos da nossa trivial “road trip”, recebiamos como resposta um sabio “Are you sure??”. Ninguem conseguia entender como conseguiriamos aguentar mais de 20 de horas de carro por meros 4 dias em NOLA (abreviacao de New Orleans). Resolvi dar uma espiadinha novamente nos sites de passagem, e encontrei uma da Delta (nosso carma) por um preco legal. Imediatamente liguei para Ma que com alivio aceitou (eles tambem tinham sido bombardeados por “Are you sure???”). No embalo, comprei as quatro passagens com escala em Atlanta e nao me atentei que a data de retorno estava errada. Indo e voltando no site da companhia, nao vi que a data tinha mudado do planejado dia 30/12 para 30/01 (um mes depois!!). Para completar a lambanca, tinha comprado por um site promocional que nao aceitava reembolso e cobrava uma nota por qualquer alteracao. Depois de muito me debater e resmungar, aceitei o conselho de uma noite bem dormida para tentar resolver no dia seguinte no aeroporto. Dito e feito. No dia seguinte, os Deuses sorriram para nos. Por conta de tempestades em Atlanta, varios voos tinham sido cancelados ou estavam com grande atraso. Era o que precisavamos para negociar no balcao da Delta e conseguirmos nossos reembolso por justa causa. Em seguida, achamos passagens diretas pela Southwest (cia muito boa) por um preco descente.

(Meu Deus! Tres paragrafos e voce ainda nem chegou em New Orleans. Acelera Rubinho!!)

OK OK! Voltando a terra do Jazz e do “Who Dat”, vou abandonar este approach cronologico para descrever o que vimos e vivemos por la. New Orleans é uma cidade com muito “soul” (alma) e personalidade para ser enquadrada assim.

A cidade expressa o caldeirao cultural que e em sua arquitetura, culinaria, musica, cultura e jeito de ser. Fundada pelos franceses em 1718, “La Nouvelle Orléans” nasceu como capital da Louisiana (em homenagem a Luis XIV) e forte para proteger as riquezas do interior da colonia francesa na America do Norte. Sua localizacao estrategica as margens do rio Mississipi, primeira grande avenida dos EUA que conectava os estados do Sul com os do Norte, logo fez da cidade um grande e rico centro comercial, despertando a cobica de outras forcas europeias. Da alternancia entre o dominio frances e espanhol, a cidade finalmente foi parar nas maos dos americano depois que Napoleao vendeu o estado da Lousiana. Maior porto comercial do rico (algodao e acucar) e escravocrata Sul, NOLA tambem foi inundada por “imigrantes” africanos oriundos dos mais diversos cantos do mundo, incluindo nosso Brasil. Em um dos museus de la, descobrimos que a palavra creole, que traduz a culinaria e cultura local, e originaria dos crioulos brasileiros.


Esse caldeirao cultural, acentuado por ondas migratorias de irlandeses, alemaes, entre outros, deu origem a uma cidade unica e cheia de personalidade e nos nao demoramos muito a perceber isso. Na terra que inventou a producao e cultura de massa, New Orleans aparece como uma das excecoes. Sim, ela apresenta bairros modernos e altos arranha-ceus que poderiam ser encontrados em qualquer grande cidade americana, mas o seu charme esta centrado nas antigas e belissimas mansoes do Garden District, evidencias de um passado mais glorioso (antes da Guerra Civil, New Orleans ficava atras apenas de New York), e charmosas ruas do French Quarter, retratos da influencia franco-espanhola. Neste ultimo, bairro mais agitado da cidade, a cada ruazinha que entravamos encontravamos lugares especiais e cheios de personalidade, como o bar Lafitte’s Balcksmith Shop no qual acidentalmente esbarramos e paramos para tomar uma deliciosa cerveja local. Poderia citar o antigo convenento das Ursulinas, a Jackson Square ou a Catedral de Saint Louis como pontos turisticos de destaque no French Quarter, mas New Orleans nao funciona assim. A cidade nao nos conquistou por cartoes postais, mas sim pelo conjunto de sua obra que em sua rica variedade reserva um cantinho especial para cada gosto (acho que a minha rua preferida foi a Royal Street). A “Big Easy”, como New Orleans tambem é conhecida, tambem nos conquistou por sua alma, traduzida na animacao das ruas, na simpatia das pessoas (o Sul dos EUA é o Nordeste brasileiro neste sentido) e na musica (Jazz e outros generos) que invade todos os cantos.


Alem de alimentar nossos olhos e nossa alma, tratamos de alimentar nosso corpo em deliciosos restaurantes. Amparados pelo aplicativo do Zagat no meu Iphone e por otimas dicas do Josh, colega do MBA que e da cidade, comemos muito bem obrigado. Alem de saborearmos items locais como a Mufulletta (sanduichao italiano) no Central Grocery e os acucarados beignets (um doughnut frances) no sempre lotado Café Du Monde, nos aventuramos com iguariais da culinaria creole como Gumbo (tipo de um pirao), Jambalaya (arroz cheio de ingredientes e temperos) e PO Boy, este ultimo um tipo de sanduiche local que pode levar inumeros recheios, incluindo linguica de jacare (o meu otimo pedido!). Dentre os otimos restaurantes que fomos, acho que o grande destaque foi o Acme Oysters. Este foi uma insistente e otima sugestao do Fran que o tinha visto no programa de TV “Men versus Food”, no qual o apresentador tinha ido la e comido mais de 150 ostras. Nao era muito fa de ostra, mas depois do Acme tudo mudou. Nunca tinha saboreado uma ostra tao saborosa em toda minha vida a ponto de ficar triste de ter ja pedido o prato principal no comeco. Essa tristeza logo passou depois que descobrimos que o Acme era muito mais que ostras. Entre a deliciosa sopa de milho e caranguejo que a Lili pediu e o meu suculento PO Boy de rosbife lentamento cozido num molho maravilhoso, é dificil dizer qual melhor (estou com agua na boca so de lembrar). Valeu a espera na enorme e constante fila!


Como estavamos na cidade do Jazz, do Mardi Gras (famoso tipo de carnaval local) e de uma das noites mais agitadas dos EUA, tratamos de aproveitar esse lado de NOLA, ainda que nossos dias de baladeiros ja estao (sem crise) para tras. Alem de deliciosos jantares, nos esprememos no intimista Maison Bourbon para escutar um jazz da melhor qualidade (ainda que nao tenha sido do tipo que mais gosto e que ainda nao sei definer qual é) com direito a Dogao na esquina depois do show, e tomamos a Hand Granade do Tropical Isle, famoso fluorescente drink de receita secreta que vem num copo especial. O gosto é terrivel e a dor de cabeca é garantida, mas valeu pela experiencia inusitada e por ver “wild Marina” segurando o drink pelas ruas da animada Bourbon Street .


Enfim, se voce sobreviveu ate aqui neste longo post, deixo meu PARABENS e OBRIGADO pelo apoio. Em seguida colocaremos algumas fotos da viagem e, assim que a Ma e o Fran nos enviarem as demais, atualizaremos blog. Se puder, nao deixe de visitar a imperdivel e surpreendente New Orleans. E receita certa para um “great time”!

*Grito de guerra do New Orleans Saints, time de futebol americano atual campeao do Super Bowl. Abreviacao com sotaque creole para “Who is that that” da frase” Who is that that says their going to beat those Saints”

**Em determinado momento o blog foi rebatisado (com alguma causa) para “Lili (e Bruno)”

3 comentários:

  1. Filho amado,

    Valeu demais! A riqueza dos detalhes deixou um gostinho mais do que especial por NO.Precisamos conhecê-la!
    Beijos e saudades, Rosa

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  2. Adorei os detalhes :)
    Mas venho por meio deste comentário deixar claro que não teve nada de wild marina!!!! Só tava curtindo a hand granade, hahhahha.
    Beijos nos dois.

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  3. Bruno e Li,
    Adorei a sua viagem em NO, fiquei com vontade de conhecer e, principalmente, experimentar as delícias dos restaurantes que o Bruno detalhou.
    Beijos,
    Vera

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