Não é segredo que estou procurando um emprego fixo. Desde o
início do ano tomei a decisão de voltar ao mercado de trabalho formalmente,
carteira assinada, salário no fim do mês, desafios corporativos, carreira
linear e ‘planejada’ etc. Trabalhar de forma independente como freelancer, como
fiz durante nossa temporada nos EUA, tem muitos benefícios. Mas a ansiedade que
sinto quando não tenho um projeto, e a intensidade do esforço empreendido
quando tenho um trabalho em mãos, ou seja, a clareza no entendimento sobre a
natureza instável dessa atividade me levou a optar por buscar uma oportunidade
na indústria. De instável, já chega o dia a dia com a pequerrucha. É tanta
novidade todo dia que algo precisa ser constante na nossa rotina. E que sejam
os meus horários de trabalho. E que eu tenha paz de espírito de saber que meu
dia a dia sera um pouco mais previsível. E que o fluxo de caixa também será!
Pois bem, mas trabalhar fora implica em ter uma estrutura
para dar conta de Clara durante o dia (e início da noite, posto que o trânsito
de SP é imprevisível). E é aí que eu chorei.
Depois de visitar muitos e muitos berçários, encontrei um
que gostei bastante, bem perto daqui de casa. Conversei bastante com o Bruno, e
hoje liguei lá: haverá uma vaga aberta em meados de Abril. Marquei de
matricular a Clara na próxima semana. Então eu chorei. Liguei para o Bruno, e
ele me abraçou com as palavras. E eu chorei. E choro.
Essa vida é complexa demais… trabalhei tantos anos na Natura
presenciando e discutindo amplamente as questões da mulher moderna, os desafios
profissionais e pessoais, as implicações maravilhosas e os dilemas angustiantes
trazidos pela maternidade, as dúvidas a respeito da melhor forma de ser mãe sem
deixar de se sentir completa como mulher, sendo profissional, esposa, amiga,
filha, dona-de-casa… uff… e agora sinto tudo isso na pele (embora o mais correto seria dizer 'na alma').
Sei que já há tanta coisa escrita, sendo escrita e a ser escrita por milhares de mães e/ou pensadoras sobre esse assunto que nem me atrevo a registrar aqui minha opinião (não que eu tenha uma formada a respeito...!). Não ouso nem mesmo registrar meu sentimento, até porque não sei bem qual é, ou quais são.
Acho que é algo próximo de culpa, misturado com saudade
antecipada, medo do futuro, dúvidas… sei lá. Só sei que não há uma
resposta, e sei que isso passa. Todo mundo fala e deve ser verdade: isso passa. Aos
poucos devo perceber como ela ficará bem no berçário, como ela continuará me
amando, como eu vou curtir voltar ao trabalho etc etc, e vou ver que isso passa.
Mas, até isso passar, me dá* licença que eu vou chorar.
Mas, até isso passar, me dá* licença que eu vou chorar.
Bjos e soluços,
Lili
*(desculpe, mas usar "dá-me licença" aqui ia quebrar o clima do texto...)
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