terça-feira, 3 de abril de 2012

Hoje eu chorei


Não é segredo que estou procurando um emprego fixo. Desde o início do ano tomei a decisão de voltar ao mercado de trabalho formalmente, carteira assinada, salário no fim do mês, desafios corporativos, carreira linear e ‘planejada’ etc. Trabalhar de forma independente como freelancer, como fiz durante nossa temporada nos EUA, tem muitos benefícios. Mas a ansiedade que sinto quando não tenho um projeto, e a intensidade do esforço empreendido quando tenho um trabalho em mãos, ou seja, a clareza no entendimento sobre a natureza instável dessa atividade me levou a optar por buscar uma oportunidade na indústria. De instável, já chega o dia a dia com a pequerrucha. É tanta novidade todo dia que algo precisa ser constante na nossa rotina. E que sejam os meus horários de trabalho. E que eu tenha paz de espírito de saber que meu dia a dia sera um pouco mais previsível. E que o fluxo de caixa também será!

Pois bem, mas trabalhar fora implica em ter uma estrutura para dar conta de Clara durante o dia (e início da noite, posto que o trânsito de SP é imprevisível). E é aí que eu chorei.

Depois de visitar muitos e muitos berçários, encontrei um que gostei bastante, bem perto daqui de casa. Conversei bastante com o Bruno, e hoje liguei lá: haverá uma vaga aberta em meados de Abril. Marquei de matricular a Clara na próxima semana. Então eu chorei. Liguei para o Bruno, e ele me abraçou com as palavras. E eu chorei. E choro.

Essa vida é complexa demais… trabalhei tantos anos na Natura presenciando e discutindo amplamente as questões da mulher moderna, os desafios profissionais e pessoais, as implicações maravilhosas e os dilemas angustiantes trazidos pela maternidade, as dúvidas a respeito da melhor forma de ser mãe sem deixar de se sentir completa como mulher, sendo profissional, esposa, amiga, filha, dona-de-casa… uff… e agora sinto tudo isso na pele (embora o mais correto seria dizer 'na alma').


Sei que já há tanta coisa escrita, sendo escrita e a ser escrita por milhares de mães e/ou pensadoras sobre esse assunto que nem me atrevo a registrar aqui minha opinião (não que eu tenha uma formada a respeito...!). Não ouso nem mesmo registrar meu sentimento, até porque não sei bem qual é, ou quais são.
Acho que é algo próximo de culpa, misturado com saudade antecipada, medo do futuro, dúvidas… sei lá. Só sei que não há uma resposta, e sei que isso passa. Todo mundo fala e deve ser verdade: isso passa. Aos poucos devo perceber como ela ficará bem no berçário, como ela continuará me amando, como eu vou curtir voltar ao trabalho etc etc, e vou ver que isso passa. 


Mas, até isso passar, me dá* licença que eu vou chorar.

Bjos e soluços,
Lili
*(desculpe, mas usar "dá-me licença" aqui ia quebrar o clima do texto...)



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