Como mencionei no post anterior, a Clara começou no berçário dia 02/maio. Ainda está em fase de adaptação (ou seja, não ficou o período total contratado), mas está indo super bem, e acho que ela está gostando.
Visitei muitos berçários antes de optar por esse, que é pequeno, arejado, limpo, alto astral e perto de casa. Dá para ir a pé, e é por isso que assim nós vamos (a não ser nos poucos dias de chuva).
É uma caminha de uns 10 minutos pelo bairro, e a vizinhança é uma delícia. Pena que as calçadas não. Além de degraus infinitos, buracos, inclinações e corredores estreitos, tenho que "dirigir" o carrinho atenta e desviando das sujeiras de cachorro que abundam por aqui!!!
Ainda assim, é muito gostoso. Vou empurrando o carrinho da Clara narrando para ela o que estamos vendo, cumprimentando os seguranças dos prédios finos, e cantando a música dos Sete Anões ou dos Smurfs!
Levá-la e buscá-la é uma delícia. Mas quando a deixo e venho caminhando de volta para casa... ui... aí o coração aperta (e, mesmo depois de todos esses dias, ainda aperta). Sinto uma sensação de vaziiiio... mas que logo se preenche de idéias e check-lists de coisas a fazer.
Eu tenho 'encompridado' o caminho de volta para caminhar um pouco mais e, quanto mais eu ando, mais as idéias se amontoam. Resolvi ir escrevendo aos poucos essas idéias e, na medida do possível, compartilharei aqui.
Como a Clara ainda está no primeiro mês de berçário, acho que ainda é válido compartilhar algumas reflexões sobre essa experiência, de colocar um bebê em berçário.
Preciso assumir que, de bate pronto, chego a associar berçário com um 'depósitozinho' de bebês. Sim, porque não é como escola que tem como objetivo formar e desenvolver as crianças (para simplificar). O berçário é um lugar em que se deixa o bebê quando a mãe tem outro compromisso. Bom, mas isso não vem ao caso. O que importa é que encontrei um 'depositozinho' muito fofo e organizado, onde acredito que minha filha será tratada com atenção e carinho. De quebra, ela ainda aprende a conviver com outros bebês.
Mas a reflexão que quero compartilhar aqui não é sobre colocar um bebê no
berçário, mas sim sobre as opiniões a respeito dessa atitude (nem certas, nem erradas, apenas opiniões, assim como as minhas). Eu sempre ouço as pessoas dizerem:
1- "vai dar tudo
certo",
2- "vai ser bom para
vocês duas",
3- "o bebê vai se
desenvolver mais rápido"
....etc.
Então, concordei com essas
afirmações porque tenho que concordar, porque colocá-la no berçário foi a melhor
das nossas opções. Mas, no fundo (ou nem tão fundo assim), acho que penso
diferente.
1- "Vai dar tudo
certo": é lógico que vai dar certo. Mas ficar em casa com ela também dá
certo. Deixá-la com uma babá também dá certo. Deixá-la com avós e tias também
dá. Tudo vai dar certo, como tudo na vida. É só querer.
2- "Vai ser bom para
vocês duas": sim, vai ser bom porque dentre as opções, essa foi a que
melhor se apresentou. Então o "vai ser bom" me parece muito mais uma
frase feita que deveria confortar a mãe. Mas, no fundo (ou nem tão fundo
assim), não conforta porque, em outras palavras, quer dizer que o bebê ficará
melhor sem ela do que com ela. E, no meu ponto-de-vista, não tem lugar melhor
do que do lado da mãe (sim, mas para a isso a mãe tem que estar feliz,
realizada blábláblá... ok, só quis expressar uma opinião que nem sei se está
formada).
3- "O bebê vai se
desenvolver mais rápido": sim, até acredito que a criança pode se
desenvolver mais rápido em um ambiente estimulante, com outras crianças em
estágios diferentes de aprendizado. Mas... tenho dois pontos (e isso não quer
dizer que eu discorde dessa afirmação, são só dois pontos de reflexão).
3.1: Às vezes esse
desenvolvimento é uma mera questão de percepção. Sabe quando os avós passam a
semana sem ver o netinho, e aí quando encontram dizem "nossa, como
cresceu!". Isso não quer dizer que o bebê cresceu mais rápido do que o
normal. Apenas que quando não estamos juntos no dia-a-dia, pequenos avanços ou
ganhos não são tão notados. É a relatividade!
Resumindo o meu ponto: se
dizem que o bebê está se "desenvolvendo mais rápido" para confortar a
mãe, talvez esse não seja o melhor argumento, porque pode sugerir que a mãe
anda tão distante do filho que chega a perceber esses grandes marcos do desenvolvimento
com surpresa. Ou seja, ao invés de ser um agente ativo e participativo nas
descobertas, ela passa a ser mais uma mera espectadora admirada.
3.2: Para quê mesmo que o bebê precisa se
desenvolver 'mais rápido'? Ele tem pressa de quê? Para chegar onde? Antes de
quem? O bom não é um desenvolvimento normal?
É isso... como disse, são apenas reflexões. Amanhã posso pensar diferente.
Bjos,
Lili
PS: é estranho publicar um post sem foto da Clara!
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